O app paga comissão à loja quando vende algo digital que a pessoa usa dentro dele, como assinatura, conteúdo ou recurso liberado; serviço físico, consulta ao vivo entre duas pessoas e app gratuito que acompanha um sistema web pago cobram por fora, sem comissão. No Brasil, desde junho de 2026, a Apple cobra 21% mais 5% de processamento na compra pelo sistema dela, e continua cobrando comissão quando o conteúdo digital é pago por fora. O erro mais caro é misturar, no mesmo app, o que é isento com o que não é.
Quando o app precisa usar a compra dentro do app#
O app precisa usar a compra dentro do app, e pagar comissão à loja, quando vende algo digital que a pessoa usa dentro dele: assinatura, conteúdo, recurso liberado, moeda de jogo. Quando o que se vende é um serviço físico, um produto entregue em casa ou uma consulta ao vivo entre duas pessoas, a cobrança vai por fora, com cartão ou Pix, e a loja não leva comissão.
A pergunta "dá para cobrar sem dar 30% para a loja?" apareceu em dois clientes nas últimas semanas, e a resposta depende do que o app vende. Quando desenhamos produtos SaaS com app e web, ela entra cedo no escopo, porque muda o preço, o fluxo de pagamento e às vezes o número de aplicativos.
A regra geral está na diretriz 3.1.1 da App Store e na política de pagamentos do Google Play. As exceções estão na diretriz 3.1.3 da Apple e na mesma política do Google.
| O que o app vende | Precisa da compra dentro do app? | Regra | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Assinatura, curso, conteúdo ou recurso usado no próprio app | sim | Apple 3.1.1 · Google, política de pagamentos | plano premium, aula gravada, versão sem anúncio |
| Produto físico ou serviço consumido fora do app | não, e as duas lojas proíbem usar a cobrança delas | Apple 3.1.3(e) · Google, bens e serviços físicos | delivery, transporte, limpeza, mensalidade de academia |
| Consulta ou aula ao vivo entre duas pessoas | não | Apple 3.1.3(d) · Google, serviço 1:1 que não fica gravado | consulta médica, aula particular, personal trainer |
| Aula ou atendimento ao vivo para um grupo | sim | Apple 3.1.3(d) · Google, isenção só entre duas pessoas | turma online ao vivo |
| Serviço clínico prestado por profissional de saúde | não deve usar a cobrança do Google | Google, perguntas frequentes da política de pagamentos | teleconsulta, receita médica |
| App gratuito que acompanha um sistema web pago, sem nada à venda dentro | não | Apple 3.1.3(f) · Google, app só de consumo | app do paciente do Casa Follow Up |
| Conteúdo comprado no site e acessado no app | na Apple, só se também estiver à venda no app, salvo apps de leitura de revista, livro, música e vídeo | Apple 3.1.3(a) e 3.1.3(b) | curso comprado no site e assistido no app |
| Software vendido direto a empresas para os funcionários | não, se a venda for à organização | Apple 3.1.3(c) | ferramenta corporativa |
A linha do conteúdo comprado no site é a que mais engana. A diretriz 3.1.3(b), dos serviços multiplataforma, só deixa o app abrir o que foi comprado fora se aquilo também estiver à venda pela compra dentro do app.
Quanto a Apple e o Google cobram no Brasil#
Os 30% são a comissão padrão da Apple, número que ela mesma usou ao anunciar o programa de pequenas empresas, em 2020. No Brasil, desde 18 de junho de 2026, a tabela é outra: 21% de comissão sobre bem ou serviço digital, mais 5% de processamento quando a compra passa pelo sistema da Apple, o que soma 26%.
O programa de pequenas empresas aceita quem faturou até 1 milhão de dólares no ano anterior, somando as contas ligadas à mesma empresa, e quem está entrando agora na App Store. No Brasil, quem está nele paga 10% de comissão, ou 15% com o processamento. Assinatura renovada depois do primeiro ano também cai para 10%.
O Google Play, no Brasil, segue a tabela da maior parte dos países: 15% sobre o primeiro milhão de dólares do ano para quem se inscreve no nível de 15%, 30% acima disso, e 15% em assinatura com renovação automática.
| Onde | Compra pela loja | Pagamento por outro meio dentro do app | Link para pagar no site |
|---|---|---|---|
| App Store no Brasil | 21% + 5% de processamento (10% + 5% no programa de pequenas empresas) | 21% (10% no programa) | 15% sobre as vendas em até 7 dias depois do toque (10% no programa) |
| App Store na União Europeia, desde 1º de outubro de 2026 | 26% (15% no programa) | 20% (10% no programa) | 15% (10% no programa) |
| Google Play no Brasil | 15% até 1 milhão de dólares por ano no nível de 15%, 30% acima; assinatura 15% | taxa 4 pontos menor, pela cobrança por escolha do usuário | não encontramos programa para o Brasil na política atual |
Pagar por fora no Brasil reduz a comissão, mas não tira#
Desde o iOS 26.5, por um acordo da Apple com o CADE, o app no Brasil pode oferecer outro meio de pagamento para conteúdo digital e mandar o usuário comprar no site. A comissão continua: 21% no pagamento por outro meio dentro do app e 15% sobre o que for vendido no site até 7 dias depois do toque no link, com 10% nos dois casos para o programa de pequenas empresas.
Vêm junto obrigações novas: a compra pela Apple tem de aparecer ao lado do outro meio de pagamento, menores de 18 anos precisam do consentimento dos pais, e quem cobra por fora recolhe os impostos da venda e manda à Apple, todo mês, o relatório das transações.
No Google Play, o Brasil está na cobrança por escolha do usuário, para apps que não são jogos, com taxa 4 pontos menor na venda feita pelo outro sistema.
Nos Estados Unidos, por decisão judicial, as diretrizes da Apple já permitem botão e link para comprar no site. Quanto a Apple pode cobrar sobre essas vendas ainda está no tribunal: segundo o 9to5Mac, em agosto de 2026 ela propôs 15% para a maioria dos apps e 5% para os do programa de pequenas empresas.
Para quem vende conteúdo digital, pagar por fora virou uma decisão de preço e de operação. Para quem vende serviço físico ou consulta ao vivo, nada disso se aplica, porque essa comissão nunca existiu.
O que a Apple perguntou na revisão do Casa Follow Up#
O Casa Follow Up é uma plataforma de acompanhamento clínico: o paciente responde check-ins curtos no app, e o profissional de saúde lê a evolução numa plataforma web, onde também paga a assinatura. Na primeira revisão, em 19 de junho de 2026, a Apple não recusou o app. Ela apontou um ajuste de layout no iPad e fez um pedido de informação (diretriz 2.1(b)) com cinco perguntas sobre o modelo de negócio, de quem usa o conteúdo pago a se é preciso pagar para criar conta.
A resposta que montamos partiu de um fato: quem paga, o profissional, não usa o app do iPhone, e o paciente não paga nada em lugar nenhum. Isso enquadra o app na diretriz 3.1.3(f), a do app gratuito que acompanha uma ferramenta web paga. Duas outras diretrizes pareciam ajudar e ficaram de fora de propósito.
- A 3.1.3(b), dos serviços multiplataforma. Ela exige que o que foi comprado fora também esteja à venda no app, então, se o revisor lesse o Casa Follow Up como serviço multiplataforma, ia exigir a compra dentro do app. A resposta disse com todas as letras que ela não se aplicava, porque o paciente não compra nada em plataforma nenhuma.
- A 3.1.3(c), dos serviços vendidos a empresas. O texto termina dizendo que venda para consumidor ou usuário individual precisa da compra dentro do app. Como o profissional se cadastra e paga sozinho, pelo site, um profissional autônomo poderia ser lido como usuário individual. Por isso "software para empresas" entrou só como descrição.
O ponto mais delicado foi contado em vez de escondido. Quando a assinatura do profissional vence, o paciente passa a ver os dados em modo de leitura e não faz check-in novo até o profissional renovar. A resposta explicou isso como regra do contrato do profissional na web, que o paciente nunca vê nem paga.
Antes de reenviar, três itens travavam a publicação: procurar no app as palavras assinatura, plano, preço, Stripe e o endereço do site comercial, inclusive nos termos de uso abertos dentro dele; garantir que nenhuma tela do profissional fosse alcançável pelo app; e deixar uma conta de demonstração ligada a um profissional ativo. Em 23 de junho, quatro dias depois do pedido, o app já estava aprovado.
Por que a consulta paga no app de telemedicina fica fora da loja#
Num app de telemedicina que estamos modelando, o paciente paga a consulta dentro do app, com cartão ou Pix, por um provedor de pagamento, e nem a Apple nem o Google entram nessa conta. A diretriz 3.1.3(d) da Apple cita "medical consultations" entre os serviços em tempo real entre duas pessoas que podem ser cobrados por fora, e o Google diz que transações de serviço clínico regulado não devem usar a cobrança do Google Play.
O risco estava em outro lugar. O primeiro desenho tinha uma mensalidade para o médico e um plano para o paciente, duas assinaturas digitais que, vendidas no app, iriam para a compra dentro do app e dariam ao revisor motivo para ler o produto inteiro como conteúdo digital.
Duas decisões de produto tiraram a assinatura do aplicativo. O médico deixou de pagar mensalidade. O paciente não tem plano: é gratuito e paga só a consulta. Sem assinatura no app, o risco de a loja exigir a compra dentro do app caiu muito, porque sobrou só a consulta, que a regra libera pelo nome.
Na mesma modelagem, a consulta por mensagem passou a ter hora marcada, o que também ajuda na loja: a diretriz fala em serviço em tempo real, e uma conversa sem hora para começar nem terminar fica mais perto de acesso a conteúdo. E, por ser app de saúde, quem publica é a empresa do cliente, que presta o serviço, como pede a diretriz 5.1.1(ix). O caminho está em de quem deve ser a conta da App Store.
O erro é misturar no mesmo app o que é isento e o que não é#
Serviço físico e consulta ao vivo não pagam comissão à loja, e nenhuma loja exige isso. O que leva a loja a exigir a compra dentro do app é um produto isento que ganha, no mesmo aplicativo, uma venda digital, como um plano premium ou a assinatura de quem presta o serviço.
Outra pergunta que recebemos nas últimas semanas mostra como isso acontece. Num SaaS em que profissionais vendem acompanhamento para alunos, o app é gratuito, o aluno contrata por fora e o profissional assina pelo painel web, o que se encaixa na 3.1.3(f). O cliente quer que o aluno passe a pagar dentro do app. Se o que o aluno compra é entregue e usado no app, como planos e materiais, a regra vira a 3.1.1: compra dentro do app, com comissão, e sem o provedor de pagamento do profissional no iPhone. E, como é um app só para a plataforma inteira, basta um profissional vender pelo app para a regra valer para todos.
Três atalhos aparecem sempre, e nenhum funciona:
- Liberar o conteúdo por código ou QR code comprado no site. A diretriz 3.1.1 cita os dois como mecanismos proibidos.
- Pôr um botão "assine pelo site". Fora dos Estados Unidos e dos programas de cada país, a Apple proíbe chamada para comprar por fora, e no Brasil esse link agora paga 15%.
- Tirar o preço só da tela de compra. A 3.1.3(f) exige que não haja chamada para compra no app. No Casa Follow Up, tratamos como parte disso os termos de uso abertos dentro do app, que não podiam falar de checkout nem de preço.
O Google é um pouco mais flexível com o app que só dá acesso ao que foi pago em outro lugar: segundo as perguntas frequentes da política de pagamentos, esse app pode dizer que a compra se faz no site, desde que sem link direto.
Como desenhar a cobrança antes de construir o app#
A cobrança se decide no escopo, antes da primeira tela. A ordem que seguimos:
- Listar tudo o que alguém paga no produto e classificar cada item pela tabela das regras.
- Decidir onde cada pagamento acontece. Quando quem paga trabalha no computador, a assinatura pode ficar na web e o app, sem nada à venda. Quem vai para o app e quem fica na web está em aplicativo ou sistema web.
- Separar o isento do que não é. Se o produto vende serviço e também assinatura digital, a assinatura vai para a web ou para a compra dentro do app, e o serviço segue por fora.
- Pôr a comissão no preço quando a venda digital dentro do app é o negócio.
- Escrever as notas de revisão antes de enviar, dizendo quem paga, onde paga e por qual diretriz, com uma conta de demonstração que mostre o app funcionando.
Antes da loja, o app passa por versões de teste, e por que elas não servem para distribuir o app está em por que o TestFlight não serve para distribuir o app.
Perguntas frequentes#
App de delivery, transporte ou agendamento de serviço paga comissão à Apple e ao Google?#
Não. Quando o que se compra é um produto físico ou um serviço consumido fora do app, as duas lojas mandam cobrar por outro meio, como cartão, Pix ou Apple Pay. A diretriz 3.1.3(e) da Apple diz que esse pagamento deve usar outro método que não a compra dentro do app, e a política do Google proíbe usar a cobrança da loja para bens e serviços físicos, citando transporte, entrega de comida e mensalidade de academia.
Posso colocar no app um botão para assinar pelo site?#
Depende do país. Na loja americana da Apple, a diretriz permite botão e link para comprar no site. No Brasil, desde junho de 2026, o link também é permitido, mas a Apple cobra 15% sobre as vendas feitas até 7 dias depois do toque, ou 10% no programa de pequenas empresas. Na maioria dos outros países, botão ou link para pagar fora da compra dentro do app continua proibido. No Google Play, o app não pode levar o usuário a outro meio de pagamento, a não ser dentro dos programas de cada região.
O programa de pequenas empresas da Apple vale no Brasil?#
Vale. Quem faturou até 1 milhão de dólares no ano anterior, somando todas as contas ligadas, ou quem é novo na App Store, pode entrar. No Brasil, a comissão para quem está no programa é de 10%, mais 5% de processamento quando a compra passa pelo sistema da Apple, o que dá 15% no total. Assinatura renovada depois do primeiro ano tem a mesma comissão de 10%.
Consulta por vídeo ou por mensagem pode ser cobrada por Pix dentro do app?#
A consulta ao vivo entre duas pessoas, sim. A diretriz 3.1.3(d) da Apple cita consulta médica entre os serviços em tempo real de pessoa para pessoa que podem ser cobrados por fora, e o Google diz que serviço clínico regulado não deve usar a cobrança do Google Play. O que muda a resposta é o formato: aula ou atendimento ao vivo para um grupo precisa da compra dentro do app na Apple, e no Google a sessão individual só fica isenta se não ficar gravada para assistir depois.
App gratuito que acompanha um sistema web pago precisa de compra dentro do app?#
Não precisa, desde que não venda nada nem convide a comprar. A diretriz 3.1.3(f) da Apple dispensa o app gratuito que funciona como companheiro de uma ferramenta web paga, com a condição de não haver compra dentro dele nem chamada para comprar fora. Na prática, o app não pode mostrar preço, plano, botão de assinar nem link para checkout em nenhuma tela, e vale conferir também os termos de uso abertos dentro dele.
Fontes#
- Apple, App Store Review Guidelines, revisão de 8 de junho de 2026 (diretrizes 2.1, 3.1.1, 3.1.1(a), 3.1.3 e 5.1.1(ix)): https://developer.apple.com/app-store/review/guidelines/
- Apple, App distribution in Brazil (taxas e regras da App Store no Brasil): https://developer.apple.com/support/app-distribution-in-brazil/
- Apple Developer News, "Changes to iOS in Brazil", 18 de junho de 2026: https://developer.apple.com/news/?id=dhwadr2x
- Apple, Changes for apps in the European Union (taxas em vigor desde 1º de outubro de 2026): https://developer.apple.com/support/dma-and-apps-in-the-eu/
- Apple, App Store Small Business Program: https://developer.apple.com/app-store/small-business-program/
- Apple Newsroom, anúncio do App Store Small Business Program, 18 de novembro de 2020: https://www.apple.com/newsroom/2020/11/apple-announces-app-store-small-business-program/
- Google Play, política de pagamentos: https://support.google.com/googleplay/android-developer/answer/9858738
- Google Play, perguntas frequentes da política de pagamentos (serviço clínico, serviço 1:1, app só de consumo): https://support.google.com/googleplay/android-developer/answer/10281818
- Google Play, taxas de serviço: https://support.google.com/googleplay/android-developer/answer/112622
- Google Play, cobrança por escolha do usuário: https://support.google.com/googleplay/android-developer/answer/13821247
- 9to5Mac, proposta de comissão da Apple para compras fora da App Store nos EUA, 13 de agosto de 2026: https://9to5mac.com/2026/08/13/apple-proposes-commissions-of-up-to-15-for-off-app-store-purchases-in-the-us/
Próximo passo#
Se o seu produto tem app e uma parte paga, é o tipo de projeto que fazemos em produtos SaaS: o modelo de cobrança decidido no escopo, o app desenhado para passar na revisão e a publicação na conta da sua empresa, como fizemos no Casa Follow Up.

