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O produto feito com IA já vendia. O que faltava era saber o que quebrava

O Sistema Forja é uma plataforma gamificada de desenvolvimento pessoal — tarefas, hábitos, metas, finanças e bem-estar num só lugar, com XP, ranking, loja e comunidade em cima. Ele não nasceu numa software house: foi construído pelos próprios fundadores conversando com uma IA, chegou ao mercado rápido e já tinha 1.312 usuários ativos quando a Epicora entrou. O diagnóstico encontrou o que o vibe coding não resolve sozinho: os oito endpoints de servidor aceitavam requisição sem autenticação — inclusive os de pagamento — e os hábitos, as metas e os registros de sono e humor de qualquer usuário estavam visíveis para os outros. Em cerca de três semanas fechamos as falhas, migramos a infraestrutura de ~R$ 2.000 para ~US$ 20 por mês e devolvemos o produto rodando nas contas do próprio cliente.

Cliente
Sistema Forja — plataforma gamificada de desenvolvimento pessoal
O que fizemos
Diagnóstico técnico de um produto construído com IA (vibe coding) — segurança, arquitetura, custo e dívida técnica — com as correções aplicadas, migração da infraestrutura e devolução do produto nas contas do cliente
Plataforma
React 18 + TypeScript + Vite · Supabase (PostgreSQL com RLS, Auth, Edge Functions em Deno) · PWA · webhooks de pagamento · Vercel · GitHub
2 críticas
de nove falhas de segurança encontradas — fechadas
~R$ 2.000 → ~US$ 20
conta mensal de infraestrutura, agora com backup automático
~3 semanas
do diagnóstico à última correção aplicada
100%
do produto devolvido rodando nas contas do próprio cliente
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O ponto de partida

O Forja fez o que todo produto novo deveria fazer: chegou ao mercado antes de ficar bonito. Os fundadores construíram a plataforma conversando com uma IA — sem equipe de engenharia, sem arquitetura desenhada, sem repositório com dono. Quando a Epicora entrou, em fevereiro de 2026, havia 1.312 usuários ativos, planos mensais, trimestrais, semestrais e vitalícios sendo vendidos, e o roadmap de gamificação inteiro rodando: XP, streaks, conquistas, ranking, loja de moedas, desafios semanais, duelos entre usuários. Mais de 40 tabelas, 14 páginas, oito funções de servidor. Funcionava, e vendia.

E foi aí que a conta chegou. Não em forma de tela quebrada, mas nas três coisas que o vibe coding não resolve por conta própria: quem pode chamar o quê, quem paga a infraestrutura e o que acontece no dia em que algo der errado. O diagnóstico foi feito sobre o código, o banco e a configuração da plataforma em produção, e saiu com nove achados — dois deles de correção imediata.

  • Os oito endpoints de servidor aceitavam requisição sem autenticação. Entre eles os de pagamento: sem verificação de assinatura, quem descobrisse a URL podia simular uma compra aprovada e liberar assinatura vitalícia, creditar moeda ilimitada ou cancelar a assinatura de outra pessoa. Um deles permitia apagar registros históricos do sistema.
  • Dados estritamente privados estavam visíveis para toda a base. Tarefas, hábitos, metas e os registros diários de sono, humor e produtividade de qualquer usuário podiam ser lidos por qualquer outro — e parte deles, sem nem estar logado. Uma tabela tinha regra que permitia a qualquer um criar, editar e excluir registros de qualquer outro.
  • As credenciais do banco estavam versionadas no repositório — o arquivo de ambiente não estava no `.gitignore`, o que expõe a infraestrutura e sobrevive no histórico do Git mesmo depois de removido.
  • A regra de negócio morava no navegador do usuário. Sem camada de servidor, inclusive a que decide quanto XP alguém ganha — a equipe já vigiava manualmente, pelo painel, quem estava burlando o próprio jogo.
  • A conta de infraestrutura crescia sem visibilidade. O ambiente rodava na nuvem gerenciada da própria ferramenta de IA, com cobrança diária que passou dias debitando sem ninguém perceber, e compra de crédito acima do consumo real: cerca de R$ 2.000 por mês.
  • Nenhum teste automatizado, nenhum monitoramento, nenhum ambiente de homologação e nenhuma documentação. Alteração ia direto para produção, em cima de usuário pagante, e se um pagamento falhasse ninguém era avisado. O conhecimento de como a plataforma funcionava estava na conversa com a IA.
Os nove achados, por criticidade e urgência
A fronteira: antes e depois da correção
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A virada

A primeira decisão foi a que mais importa num diagnóstico: separar o que é risco do que é preferência. Um produto com assinante pagando não pode parar para ficar elegante, e a maior parte do que um engenheiro reclama num código gerado por IA é estética, não risco. Então cada achado saiu no mesmo formato — criticidade, urgência, o que estava configurado, a evidência no código e o ataque que aquilo permitia — e a fila foi ordenada por consequência, não por gosto: primeiro o que dá prejuízo direto e vaza dado pessoal, depois o que impede crescer, por último a dívida técnica.

As duas correções críticas entraram primeiro, e as duas eram sobre dinheiro e conta de usuário: verificação de assinatura nos webhooks de pagamento, com a requisição sem o segredo correto sendo rejeitada antes de qualquer processamento, e exigência de token válido nas funções administrativas, que deixaram de aceitar chamada anônima. Na sequência veio o resto: as políticas de acesso ao banco reescritas para que cada pessoa alcance estritamente o próprio registro, credenciais fora do código, origens de requisição restritas, limite de tentativas no login e na verificação de e-mail, e o armazenamento de arquivo travado por usuário.

A segunda frente foi o custo. A infraestrutura saiu da nuvem gerenciada da ferramenta de IA — a opção mais cara e a menos visível — para banco gerenciado próprio mais hospedagem de front dedicada, com backup automático e domínio próprio. A conta caiu de cerca de R$ 2.000 por mês para cerca de US$ 20 por mês. Usuários e os próprios donos relataram, depois da migração, uma plataforma mais rápida. E a terceira frente foi escrever o que não existia: Termos de Uso e Política de Privacidade aderentes à LGPD, com base legal por finalidade, retenção, exclusão de conta e o que é visível de um usuário para outro no ranking e nos duelos.

A decisão que destravou

Estabilizar primeiro, evoluir depois — e não reescrever nada. O produto tinha 1.312 usuários ativos, gamificação madura e um módulo financeiro que os fundadores já haviam refinado com a própria base. Reescrever do zero jogaria fora o ativo mais caro: o entendimento de produto que o cliente tinha e nós não. O diagnóstico foi explícito no que não recomendava — a arquitetura sem servidor próprio era adequada para a escala daquele momento, e trocá-la antes de fechar segurança e processo seria gastar dinheiro no lugar errado.

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O que entregamos

01 · O diagnóstico do que a IA construiu

Um relatório técnico de 24 páginas com o retrato da plataforma em produção: nove achados, dois de correção imediata, cada um com criticidade, urgência, evidência no código e o ataque que permitia. Mais o mapeamento completo do banco de dados, a análise de qualidade e manutenibilidade, o inventário de acessos e o plano de ação em quatro fases. Não é lista de reclamações: é fila de decisão.

02 · As correções aplicadas, não só apontadas

Webhooks de pagamento e de moeda com verificação de assinatura; funções administrativas exigindo autenticação; políticas de acesso ao banco reescritas por usuário e por papel, tornando privados tarefas, hábitos, metas e registros de bem-estar; credenciais fora do código; origens de requisição restritas; limite de tentativas em login e verificação de e-mail; armazenamento de arquivo isolado por usuário. Diagnóstico que só aponta é orçamento — este veio com o conserto.

03 · A infraestrutura migrada, com a conta sob controle

Saída da nuvem gerenciada da ferramenta de IA para banco gerenciado próprio e hospedagem de front dedicada, com backup automático — o que a configuração anterior não garantia — e domínio próprio. De cerca de R$ 2.000 por mês para cerca de US$ 20 por mês, sem tirar o produto do ar e sem perder um registro.

04 · A fundação nova e a documentação que faltava

Quatro etapas de uma base própria construídas e demonstradas em homologação: infraestrutura, CI/CD e design system; conta do usuário e painel de gestão da base; tarefas e hábitos reconstruídos sobre backend próprio, com kanban, lista, calendário e hábitos de três tipos; e notificações por web push e e-mail com preferência por canal. Mais cinco temas visuais completos e os Termos de Uso e a Política de Privacidade que a plataforma nunca teve.

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Como garantimos

Achado com evidência e ataque — não opinião sobre código

Cada item do relatório trouxe o trecho de configuração ou de código que o sustenta, o que um atacante conseguiria com aquilo e como ficaria depois da correção. É o que separa relatório que gera decisão de relatório que gera ansiedade — e é o que permitiu atacar as duas falhas críticas na primeira semana, em vez de começar pela dívida técnica mais visível.

Corrigir sem tirar o produto do ar

As correções entraram por branch e revisão, em cima de um produto com assinante usando todo dia. Nada foi tratado como "vamos parar para arrumar": o sistema seguiu vendendo e recebendo ajuste de interface e correção de bug no mesmo período em que a segurança era fechada e a base nova começava a ser construída.

Devolver o produto operável por quem não é engenheiro

O handover não foi entregar um repositório, foi entregar autonomia: código na conta do cliente, deploy próprio, banco acessível direto, e um caminho definido entre a branch de trabalho e a produção. O cliente continuou editando o produto pela mesma ferramenta de IA que já dominava. Junto foi o que ainda era risco na mão dele, por escrito — inclusive o banco único sem homologação, onde alteração de estrutura vale na hora.

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O resultado

O melhor resultado deste projeto é o mais contra-intuitivo: a Epicora saiu, e o produto continuou de pé e evoluindo. Num mercado onde concorrentes clonam funcionalidade em dias usando as mesmas ferramentas de IA, velocidade de reação era a prioridade do cliente — e ele queria mexer no app com as próprias mãos. Em vez de tratar isso como perda, tratamos como o encerramento correto: falhas críticas fechadas, custo derrubado, riscos documentados, chaves entregues.

E é essa a resposta honesta à pergunta que todo mundo faz antes de contratar uma auditoria de código gerado por IA — "vou precisar jogar fora o que já foi feito?". Não. O que foi construído com IA continuou no ar, servindo a base inteira, e recebendo funcionalidade nova. O que mudou foi o que estava embaixo.

O placar: falhas fechadas, custo derrubado, chaves entregues

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